terça-feira, 8 de setembro de 2009

DONA DORINHA E A MORAL DOS GATOS

Dona Dorinha protege aos seres vivos que tem fome e aos que tem sede. Mas também lhes predica o cardápio e o apetite, sejam homens ou bichos. Afinal, toda bondade tem uma motivação moral e toda moral impõe limites.
Deu-se que em sua labuta para desentortar o mundo adotou uma gata e essa gata, de escassa virtude, deu uma ninhada de gatinhos.
Depois de encaminhar a maioria deles para outras almas sensíveis, restou um gato, malhado e manhoso, xodó das crianças.
Mas o gato cresceu e pôs-se um Adônis, com o que começou a alongar nas noites de lua, causando preocupações a Dona Dorinha.
Achando pouco, o chichisbéu resolveu cortejar a própria mãe, o que lhe valeu o transbordamento da tolerância da sua benfeitora.
- Gato sem-vergonha! Vadio! Vou te ensinar a respeitar a mãe!
E no rastro de um corretivo de chinelo, Dona Dorinha deliberou passar o conquistador aos cuidados de uma conhecida, uma boa velha que o adotou depois de ouvir elogios à saúde do bichano.
Como tudo tem função e destino no imaginário de Dona Dorinha, o caso virou parábola que conta para reger as filhas nos almoços de domingo. O engraçado é o fecho de cumplicidade que ela põe na história, como a esconder a infâmia de um parente:
- Mas eu não contei nada para ela das safadezas daquele gato!

Um comentário:

Unknown disse...

D dó, sem dó de um gato safado..