segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Recurso de Apelação - Para Renata

Nunca soube direito o que lhe dizer. Então eu disse tudo o que sabia. Confessei todos os crimes cometidos e acrescentei outros que não existiam. Cometi depois alguns crimes confessados, por amor à verdade, por amor à vaidade e por falta de assunto. Tudo para agradar minha carcereira enigmática. Tudo para continuar preso no doce cativeiro do seu silêncio. Ao final de um processo que durou doze ou vinte e cinco anos, quando enfim esperava a prisão perpétua, a glória máxima dos amantes, fui libertado por falta de provas. Por isso hoje peço, em recurso de apelação, que não arquive ainda este caso, que o conserve aberto para diligências de namorado, com prazo certo para juntada de novas provas de amor. Peço ainda para responder à confiança da minha senhora em prisão domiciliar, na Rua Des. Leão Neto do Carmo, 1135, em regime de liberdade vigiada.